quarta-feira, 15 de maio de 2013

Entrevista Relâmpago com Ravi Arrabal

Jornalista, ator e apaixonado por cinema, Ravi Arrabal já participou de três videoclipes do nosso projeto. Foi ator em dois trabalhos, é co roteirista de "Maria das Quimeras" mas no set, Ravi faz de tudo para que a ideia decole. Vamos curtir este bate papo relâmpago com ele.



Ravi Arrabal no Set de filmagem do videoclipe "Maria das Quimeras".
Cine Clipe - Ravi, fico curioso em saber qual é, de fato, a relação que a tua geração tem com o cinema enquanto arte e linguagem, fale um pouco disso!
Ravi Arrabal -  A minha geração, pelo menos a nascida após 85, tem uma relação muito intensa com o cinema. Nós vimos crescer o advento das babás eletrônicas, e muitos de nós fomos criados de olho na tela de tv acompanhando, mesmo que por osmose, todas as (re)-evolucões digitais. Enquanto arte temos o cinema como um espelhamento de nossas relações cotidianas, quando muitos se vêem nos personagens ali na tela, ora adotando para si, gostos, gestos, trejeitos, vícios, falas.
Enquanto linguagem, nos apropriamos de seu caráter não linear, cortes secos, mudança de planos e ação. Muita ação. Seja nas relações não lineares via redes sociais, seja na constante busca por diversos estímulos. O cinema trouxe para nós um mundo compartilhado, baseado em simulações.
Trabalho em equipe é a marca registrada de
Ravi Arrabal.

CC – Fala um pouco da tua experiência com o audiovisual.

RA - Comecei ainda quando criança, brincando com câmeras vhs, s-vhs. Eu e o Mainhard gastávamos nossas tardes fazendo pequenos filmes simplistas, e também em casa fazendo truques de mágica com meus irmãos (tudo baseado no stop-and-go da câmera). Também por fazer teatro, sempre estive muito ligado e interessado em artes dramáticas, buscando conhecer e ler de tudo um pouco. Com o passar dos anos, fui me aprimorando sensível e tecnicamente, até que surgiu a vontade/necessidade de começar a praticar aquela até então brincadeira com um pouco mais de seriedade. Mesmo que só um pouco. Hoje em dia tenho tido oportunidade de por em prática todas essas questões sensíveis,  e junto à parcerias fundamentais, construir um pouco da história do cinema de Cabo Frio.

CC – Fale um pouco do panorama cinematográfico de Cabo Frio, na tua opinião, ouve progresso ou retrocesso?

RA - A cidade está passando por um momento interessantíssimo, com o surgimento recente de diversos grupos e amantes do cinema, que estão buscando explorar diversas linguagens, especialmente no âmbito dos curta-metragens. Especialmente por conta da popularização das ferramentas, como câmeras digitais, ilhas de edição caseiras. À partir daí, muitos por iniciativa pessoal, começaram individualmente a dar os seus primeiros passos. Nesses últimos 7 anos, o surgimento do Taberna Filmes, do Os Treze, do projeto Cinema Possível, os cineclubes organizados pela TRIBAL (Cinetribal), mais a chegada de outros cursos e oficinas de cinema (Oficina Tela Brasil e Humano Mar) tem impulsionado e divulgado ainda mais esse "cinema novo" cabofriense!

CC – Quem são ou foram seus filmes e cineastas preferidos?
RA – Sou bem eclético no gostar. Desde o bruto neorealismo italiano do Ettore Scola ao realismo fantástico do Tim Burton. Mas dentre os diretores que mais admiro e me influenciam estão Woody Allen, Federico Fellini, Terry Gilliam, Quentin Tarantino, Luis Buñuel e Akira Kurosawa. Uma salada de referências díspares.

Equipe que trabalhou no videoclipe "Maria das Quimeras", experiência única e bem divertida.
CC – Você fez um videoclipe como ator, “Para Fazer um Bom Café” da cantora Mako Brasil e agora está participando do segundo videoclipe como ator e montador e já está montando o terceiro videoclipe pelo Projeto Cinema Possível, fale um pouco dessa experiência.

RA -  Participar de um projeto de videoclipe é uma experiência diferente das que já participei. É mais dinâmico e já que no caso o recurso do som direto não é utilizado, gera mais liberdade pro diretor orientar a cena durante o processo de filmagem. Quase um retorno ao cinema mudo. O mais interessante foi poder me aproximar do método do Cinema Possível e contribuir com minhas ideias, esse fator da liberdade para mim é fundamental.

CC  - Agora, com as novas tecnologias disponíveis, o que você recomendaria à garotada que gosta de audiovisual?
RA - Faça cinema!!! Aproveite a facilidade que a tecnologia está dispondo para nós. Junte uns amigos, escreva um roteiro e faça acontecer! E repita, e repita e repita! Só a prática vai te dar mecanismo para superar as dificuldades e deixar seu trabalho com mais primor.

CM – Quem é Ravi Arrabal por Ravi Arrabal?
RA -  

E aqui dentro, bem pra dentro
onde em meu ser figura o âmago, o centro
reconheço mil figuras
distintas, variadas
que quando bem equilibradas
me denotam num instante:
sendo tudo isso, eu,
posso ser do mundo, tudo
desde o homem mais correto
ao sujeito mais imundo. 

Veja os videoclipes que Ravi Arrabal fez pelo projeto Cinema Possível:

Maquing of "Maria das Quimeras" - 2013



Os Vícios Teus - 2013



Maquing of - Os Vícios Teus - 2013


Para Fazer um Bom Café - 2012








segunda-feira, 13 de maio de 2013

Entrevista Relâmpago com Lorena Brites


Lorena Brites é uma amiga do projeto Cinema Possível e já a encontramos em trabalhos audiovisuais intensos como, a Novela Cidade Jardim, da Jovem TV, onde pudemos observar sua performance como atriz. Poeta, leitora e estudante de comunicação, tem uma agenda apertada, mas, mesmo assim, atendeu nosso pedido para participar do videoclipe “Maria das Quimeras”.


Cine Clipe  – Fale um pouco da tua vida profissional, o que você faz e o que é arte pra você.
Lorena Brites - Comecei no teatro aos 14 anos em um curso no Centro Cultural Manoel Camargo, em Arraial do Cabo. Desde então me apaixonei e sempre busquei estar inserida no teatro, não foi fácil. Tanto pela falta de oportunidade em grupos da região, e atualmente difícil, por ter que dar conta da minha vida de universitária, além de um estágio, o que às vezes me impede de exercitar mais o meu lado artístico. Participei de alguns filmes, da novela Cidade Jardim, realizei curtas, experimentei o teatro de rua e estou sempre disponível para o novo.
Arte é sentimento verbalizado, musicado, pintado, escrito. Arte é toda forma de manifestar o que se pensa, sente ou vive só que de um jeitinho mais bonito, interessante e até intrigante.

CC  – O que mais te emociona e faz feliz?
LB - As palavras têm um poder muito grande sobre mim, principalmente as poesias. Sou do tipo que confio demais no que é dito, talvez seja isso que provoque os meus sentidos. Estar perto da natureza é uma das cosias que mais me faz feliz, poder andar descalça na areia, mergulhar no mar, admirar o pôr do sol. E claro, estar entre as pessoas, os amigos...

CC  – Quais seus livros, músicas e filmes preferidos?
LB - Sou muito realista (apesar de não parecer na maior parte do tempo), curso jornalismo vai ver tem alguma relação. Rs. Gosto de histórias reais com pitadas de fantasia, adoro biografias, histórias que me tragam algo de reflexão para a vida.



CC -  Quem é Lorena Brites por Lorena Brites?
LB - Desligada, apaixonada, irritante às vezes, curiosa e cheia de vontade de poder fazer muito mais do que tenho feito comigo e para os outros.  Sinto que tenho em mim o desejo adolescente de conquistar o mundo. Quimera... Essa é a palavra que me define.

Veja o making of do clipe "Maria das Quimeras".



domingo, 12 de maio de 2013

Entrevista Relâmpago com Manuela de Lellis.

Manuela de Lelis já é conhecida do projeto Cinema Possível, com ela fizemos o filme, ainda inédito, "Enigma, o Código de Hayan Rúbia", estamos felizes por tê-la novamente presente, desta vez, fazendo parte do videoclipe "Maria das Quimeras", foi um trabalho incrível e divertido. Vamos conhecê-la um pouco, nesta pequena entrevista.




Cine Clipes Musicais – Fale um pouco da tua vida profissional, o que você faz e o que é arte pra você.
Manuela de Lellis - Comecei a fazer teatro aos oito anos, e daí pra frente não consegui nunca mais pensar na minha vida sem o teatro. Participava de todos os cursos, oficinas e workshops que tivessem alguma coisa relacionada com essa arte, e assim fui construindo minha formação, absorvendo um pouquinho aqui outro acolá. Participei de diversos espetáculos, trabalhei com inúmeros diretores, fiz alguns trabalhos de TV, alguns comerciais, e hoje sou professora de teatro.
Arte pra mim, é quando a necessidade de dizer alguma coisa transborda, e não cabe mais dentro da gente. É a necessidade inexplicável de preencher um espaço em branco, de deixar ali parte de você que já não lhe cabia.



CCM  – O que mais te emociona e faz feliz?
MDL - O amor me emociona mais que tudo e me faz feliz.

CCM – Quais seus livros, músicas e filmes preferidos?
MDL - Sou amante da música eletrônica, mas adoro Yann Tiersen,  principalmente a trilha de “O fabuloso destino de Amelie Poulain”, que por sinal é um filme que adoro também. Outro filme que me emociona muito  é “A vida é Bela”,  belíssimo!!

CCM  - Quem é Manuela de Lellis por Manuela de Lellis?
MDL - Uma pessoa que acredita acima de tudo na liberdade, e de tão livre tem certeza de que qualquer  tentativa de auto definição seria pobre, ou não correspondente. Quanto mais me conheço, mais tenho a certeza de que me desconheço, e tudo que sei, é que nada sei!

Curta o Making of do clipe "Maria das Quimeras".


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Entrevista Relâmpago com Patricia Maciel.

Patricia Maciel faz parte da nova geração de artistas e colaboradores da arte de Cabo Frio, dessas que vieram para fazer a diferença. Sua atividade como promotora de leitura no espaço Arte jovem tem levado a literatura e a arte ao Jardim Esperança, um bairro tradicional de Cabo Frio, onde foi filmado a primeira novela feita por uma TV COMUNITÁRIA no Brasil. A Novela cidade Jardim, que já completa 2 anos de sua realização! Patricia foi convidada para ser uma das 5 atrizes do videoclipe "Maria das Quimeras" de Andra Valladares e Florbela Espanca.




Cine Clipe – Fale um pouco da tua vida profissional, o que você faz e o que é arte pra você.

Patricia Maciel - Comecei minha vida como atriz em 2008 aos 15 anos, participado do programa da Jovem TV, Ki escolinha Show. Ali achei o que amo fazer e depois disso não parei mais. Participei de workshops, apresentei algumas peças, além de ser apresentadora do programa Papo Jovem também exibido pela Jovem Tv. Fui atriz, produtora e apresentadora na novela Cidade Jardim.
Pra mim Arte é vida é história é uma nova oportunidade para quem busca. Afinal, vivo em constante harmonia com a arte, vivencio suas transformações já que atualmente me realizo trabalhando na casa de cultura Arte Jovem.

CC – O que mais te emociona e faz feliz?

PM - Sou chorona, um tanto emotiva... E saber que sou amada, ter pessoas que me admiram e fazem de tudo para me ver bem, me emociona. Ter minha base (Família), ter uma pessoa em quem confiar e amar, estar com verdadeiros amigos é o que me fortalece para seguir fazendo o que gosto e ser feliz, não só por ter pessoas lindas ao meu lado e sim ter a certeza que nunca estarei sozinha e ainda tenho a oportunidade de direta ou indiretamente contribuir para um mundo melhor com a arte e cultura.


CC – Quais seus livros, músicas e filmes preferidos?

PM - Adoro os livros, com eles embarco numa viagem mágica onde só eu, em minha imaginação podem ir... Meus gêneros favoritos são os de aventura, romance, histórias da vida real, na verdade gosto um pouco de tudo. Gosto dos filmes românticos ou comédias românticas e adoro filmes de super-herói. Sou bem eclética ouço um pouco de tudo, porém me encanto com as músicas de MPB e canções com letras impactantes que tocam a alma.

CC - Quem é Patrícia Maciel por Patrícia Maciel?

PM - Complicada e perfeitinha... A menina ingênua, mulher madura, um pouco desastrada, distraída e muito emotiva. Sou simples e quando faço alguma coisa pode ter certeza que sairá bem feito.

Veja o making of do videoclipe "Maria das Quimeras"


terça-feira, 7 de maio de 2013

Entrevista relâmpago com Júlia Lima

A Cabofriense Júlia Lima é uma das atrizes do novo videoclipe do projeto Cinema Possível. Este já é o segundo clipe musical em que ela empresta seu talento e personalidade para nossos audiovisuais. Fizemos uma entrevista relâmpago para que nosso público a conheça melhor.




Cine Clipe – Fale um pouco da tua vida profissional, o que você faz e o que é arte pra você.

Júlia Lima - Sou atriz desde 2005 e fiz parte de um dos núcleos do grupo Creche na Coxia até 2009. A partir daí, comecei a me dedicar à graduação em Produção Cultural na UFF de Niterói, estagiei em várias produtoras de cinema e música e atualmente estou louca escrevendo minha monografia  e criando/escrevendo projetos para artistas locais.
Pra mim, arte é a forma de expressão sensitiva dos seres mostrarem a si mesmos e o seu entorno, com a intenção de comunicar ao outro emotivamente  ou não.

C C – O que mais te emociona e faz feliz?

JL - Estar entre família e amigos me faz feliz. Gosto muito dessa união que existe entre minha família e meus amigos e me emociona saber e ver como estas pessoas prezam o outro, a amizade, o carinho, a atenção.

CC  – Quais seus livros, músicas e filmes preferidos?

JL - Gosto bastante de ler e já li vários livros diferentes, e não tenho muita preferência por gêneros e sim por títulos e indicações. Gosto de livros fantasiosos, loucos e românticos e que me prendam até o fim... Ultimamente os livros de gastronomia  tem me chamado muito a atenção, porque as palavras viram bolos deliciosos em instantes, hahaha!
Escuto qualquer tipo de música, gosto de sons diferentes, sons instrumentais, mas as músicas regionais, latino americanas e MPB são minhas preferidas.  Já internacional gosto de The Beatles.  
Gosto muito do cinema brasileiro e europeu, são mais sensitivos, tem uma linguagem mais artística, mais aberta à interpretações e conseguem tocar o publico sem barulhos estrondosos, guerras, gritarias, herói e vilão.



CC  -  Quem é Júlia Lima por Júlia Lima?
JL - Menina sapeca, mulher louca, que chora e briga por tudo, que cria e inventa milhões de coisas na cabeça, que é muito certinha, mas às vezes muito doida e que gosta de estudar e rir muito.

Veja o making of do clipe "Maria das Quimeras"


sexta-feira, 29 de março de 2013

Entrevista com Marcos Boi Blues


Desde que conhecemos Marcos Boi em Ouro Preto, MG, durante o evento Montanha de Historias, ficamos impressionados com seu trabalho e sua banda. Queríamos fazer um videoclipe com uma de suas composições. A música escolhida foi "Os Vícios Teus". O material já está no ar. Aproveite também para conhecê-lo melhor nesta entrevista.
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Marcos Boi, nome artístico de Marcos Renato da Silva, natural de Mairinque-SP e radicado desde 1996 em Sorocaba-SP, Iniciou os estudos musicais aos seis anos de idade em 1.976. Estudou piano e teoria musical, violino, guitarra e violão com mestres como Ivanildo Marques, Regina Capitão, Luiz Beneddetti entre outros. Com essa bagagem procurou prosseguir de forma autodidata. Retornou aos estudos formais no Conservatório Dramático e Musical Carlos de Campos, de Tatuí-SP, onde estudou teclado, violino, concluiu o curso de teoria e harmonia funcional, passando por professores como Adriano Machado, Cezar Valezim, Cidinha Holtz, etc.
Integrou diversas bandas de rock, jazz e blues, como a Banda Deciberros, Marcos Boi & Mad Dog Blues, Duo Blues & Afins com a cantora Márcia Mah, Villa Blues, Trio Tom Jazz. Compôs e gravou com parceiros a trilha sonora do vídeo “Carnaval”, de José Otávio Lara, e o filme documentário “Porque Lutamos” de Fernanda Ikedo. Compôs e tocou em diversas trilhas de teatro, como o musical “Bolero & roll”, de Benê de Oliveira. Foi side-man das cantoras Misty, Márcia Mah, Marinete Marcato, Mirella Zaccanini, etc. Acompanha o contador de histórias Zé Bocca, apresentando-se nas principais capitais brasileiras e interior.
Atua como músico de estúdio e gravou participações em discos de vários artistas da região, como “Se entrega cafona”, Villa Blues, etc
Atua na noite em apresentações solo acompanhando-se ao violão com repertório de MPB e blues.

                                                                                                                                     *
"arranhei boa parte
 da coleção 
de discos de meu pai"
Cinema Possível  – Como foi que a música surgiu na tua vida? 
Marcos Boi  – É uma pergunta difícil, porque ela sempre esteve comigo. Ouço histórias que desde muito pequeno adorava os discos de vinil do meu pai e seu toca discos. Tipo, logo que aprendi à andar. Inclusive, derrubei o  toca discos dele, que era bem grande, encima de mim. Arranhei boa parte da coleção dele. E nem lembro  disso. Era muito pequeno, são histórias que me contam. Também tem uma história que eu gosto muito: Eu morava em Mairinque, interior de São Paulo, terra onde nasci e vivi até os 26 anos de idade, e que é minha referência no mundo. Ainda é uma cidade pequena, e nos anos setenta era menor ainda, e muito pacata, por isso as crianças eram bem soltas. Dizem que na casa em frente à que eu vivi na infância, tinha uma mulher evangélica que tocava órgão elétrico. Eu atravessava a rua, chegava em silêncio e ficava quietinho ouvindo ela tocar, ela nem me percebia, só depois que parava de tocar; Isso com três anos de idade. Com seis anos disse ao meu pai que queria tocar um instrumento, e ele rapidamente me arranjou um professor. Foi paixão à primeira nota. Nunca mais parei.
 *
"Componho 
relativamente 
pouco"
CP – O que te inspira a fazer músicas?
MB – Eu componho relativamente pouco, me realizo como intérprete e instrumentista. Mas quando componho, creio que as paixões de todos os tipos são as que me inspiram. O amor, seja por uma mulher, por um filho, pela vida; te tiram do eixo, mas dão sentido ao mesmo tempo. Isso me inspira.
                                                                                                                         *
"Somos amigos de verdade,
 o que deixa tudo mais fácil, 
inclusive na 
hora da crítica".

CP  – Fale um pouco da tua parceria com a MadDog Blues.
MB –Nem diria que é uma parceria, é minha banda mesmo. A banda que estava na minha cabeça antes de existir. E já estamos juntos há quinze anos! Aos trancos e barrancos,com altos e baixos, mas juntos. E os caras são músicos incríveis, com muita personalidade, e minhas grandes influências. Somos amigos de verdade, o que deixa tudo mais fácil, inclusive na hora da crítica, da cobrança. Amamos a estrada, a música, o risco do improviso, a certeza do arranjo. Posso me realizar como artista nesse projeto. É isso.

Artistas e técnicos, colaboradores do projeto Cinema Possível numa foto
durante as gravações do videoclipe de Marcos Boi, no bar exóticos,
locação, em Cabo Frio - RJ.
CP  – Quais são tuas grandes influências no blues, na tua percepção, quem, hoje está fazendo este tipo de música, com qualidade, no Brasil?
MB – Descobri o blues pelos grandes artistas do blues urbano, principalmente B.B. King e o pessoal de Chicago. Mas sempre pesquisei muito, e hoje não tem uma vertente que eu prefira. Estou apaixonado pelo blues rural de Robert Johnson, mas, mais do que pela música, sou apaixonado pela cultura do blues, sua história de resistência e beleza.
O Brasil é um lugar onde o blues se deu muito bem. Não estou falando da grande mídia, é claro, nesse aspecto é praticamente um desconhecido. Mas a natureza passional e antropofágica do brasileiro foi de encontro ao que compõe o blues. Porque o blues nasceu da maneira mais antropofágica possível: Um povo tirado da sua terra, escravizado, colocado nas piores condições em uma terra com outro clima, outra língua, outra comida, outro mundo! Era necessário para a sobrevivência pura e simples, mas também para a sobrevivência da alma, absorver tudo o que estava à sua volta, devorar e criar algo em que se reconhecesse. O jazz e o blues tem como parte da sua estrutura a improvisação dos músicos. E o que era a vida desse povo senão um grande improviso?

*
"Mas a natureza passional
 e antropofágica do
 brasileiro foi de encontro 
ao que compõe o blues".

Por isso, os músicos brasileiros são às vezes mais reconhecidos no meio do blues norte-americano do que aqui no Brasil. Temos grandes expoentes, da velha geração, como Nuno Mindelis, Blues Etílicos, André Christovam, etc, ao lado de uma geração mais nova e com muita qualidade, como Igor Prado, que acabou de ganhar um importante prêmio nos EUA. Mas quero destacar isso com a MadDog: A grande maioria dos blueseiros brasileiros não compõe em português, excessão para André Christovam.  E é questão de honra pra MadDog compor somente em português, e de maneira orgânica, verdadeira, com qualidade.

Marcos Boi e MadDog Blues: Marcos Boi, guitarra, violino e voz. Teclado:
João Leopoldo. Contrabaixo: Mauricio Toco, bateria Alê Zuliani.
CP – O que você recomenda para os jovens que querem se dedicar ao blues? Por onde começar?
MB – Dominar seu instrumento é muito importante, é básico, indispensável. Mas, para fazer blues, é preciso botar as vísceras pra fora, tocar com o coração na ponta dos dedos. É uma expressão corajosa da alma humana, suas fraquezas e grandezas. Como diriam os grandes compositores do gênero: “blues is a feeling”.
                       *
"Já tenho uma parceira 
de mais de quinze 
anos com o contador 
de histórias 
Zé Bocca".

CP – Faça um balanço de sua carreira, tipo, lembranças, momentos vividos que você gostaria que os leitores do cineclipe soubessem.
MB – As parceiras são sempre lembranças muito boas, porque são relações humanas acima de tudo. E nesse ponto, sou privilegiado. Trabalho com muita gente e universos diferentes.  Já tenho uma parceira de mais de quinze anos com o contador de histórias Zé Bocca, e através dessa parceira, pude conhecer pessoas e lugares que passaram a ser a história da minha vida. Trabalho com um grupo que faz música para crianças, lançamos o CD no ano passado e produzimos e tocamos com frequência.
E a estrada, essa paixão dos blueseiros. Dariam livros e livros para contar essas histórias, das mais engraçadas às mais constrangedoras. Mas destaco a temporada em Ouro Preto, na programação paralela do Montanha de Histórias em 2010. Foi muito especial tudo aquilo. A cidade, as pessoas que conheci, as pessoas que reencontrei, o convívio com a banda. Foi apaixonante.
*
"Sou um cara 
que quer viver
 a vida de maneira
 simples e intensa".

CP – Quem é Marcos Boi, por Marcos Boi.
MB - Um cara que quer viver a vida de maneira simples e intensa, que quer conviver com a honestidade nas suas mais variadas manifestações, ser honesto consigo mesmo, ser honesto com os outros, viver com minhas filhas, com meus amigos, fazer música, viver o amor de maneira plena, e cair na estrada até o fim da vida.

Clique para ver o Videoclipe: "Os Vícios Teus".



Veja making Of  - "Os Vícios Teus"



sábado, 5 de janeiro de 2013

Mako canta Baden Powell e Vinícius de Morais - Para Fazer um Bom Café.

Mako prepara sua maquiagem para entrar no set.

Cantora japonesa que vive no Brasil a 12 anos, empresta seu talento para a MPB, isso mesmo, a ousadíssima cantora Mako, nascida na cidade de Kobe, Japão e escolheu o Rio de Janeiro para viver, foi fundo na nossa história musical e trouxe nada mais nada menos do que a obra de dois mestres da música brasileira, Vinícius de Morais, nosso “poetinha”, como era chamado por seus contemporâneos e, Baden Powell, mago da melodia e do ritmo, Powell foi um dos maiores compositores de Bossa nova e criou, junto com Vinícius de Morais o estilo Afro Samba. Esses dois mestres  juntos, assinam a obra prima “Para Fazer um Bom Café”, que teve sua primeira gravação em 1965 por Cyro Monteiro.
A 12 anos vivendo no Brasil, Mako convive intimamente
com a MPB. Desde quando viva no Japão.
O Videoclipe “Para Fazer um Bom Café” é mais uma realização do  Cinema Possível e conta com a participação da atriz Viviane Antunes e o ator Ravi Arrabal, ambos artistas residentes na cidade de Cabo Frio e com larga experiência em participações em audiovisual. O clipe conta ainda, com participação especial do grupo Sushi na Brasa, que fez toda a parte instrumental da versão cantada por Mako, além de um timaço de mulheres, todas relacionadas ao teatro; Renata Andrade e à música; Mônica Leme, Flavia Costa, Vivian Freitas, Leticia Salgueiro e Midian dos Santos.
Esta bela realização do Cinema Possível, foi rodada no Rio de Janeiro, no tradicional bairro da Lapa, com locações especialíssimas, envolvendo a escadaria do artista Celarón além da bela vista para os Arcos da lapa, Circo Voador e Fundição Progresso. A cenas internas foram rodadas em espaços particulares dos participantes do Videoclipe, que abriram sua próprias casas para que o enredo se destacasse.  Outro destaque de nosso set de filmagens é o Café Vargas, situado no centro da cidade de Cabo Frio nas proximidades do Boulevard Canal. Cabo Frio é uma cidade situada na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, conhecida pela cultura popular da Folia de Reis, o Casario do Bairro da Passagem, e uma das cidades com maior população jovem do Brasil.
Curta mais este videoclipe do projeto Cinema Possível.


Conheça mais sobre o projeto Cinema Possível, curta nossa comunidade no facebook e visite nosso portal www.cinemapossivelbrasil.blogspot.com